Trabalhadores de empresas de comunicação podem entrar em greve em Santarém

Nessa segunda-feira (12), radialistas da Rádio Rural e da TV Encontro, ambas do Sistema Diocesano de Comunicação, realizaram paralisação de 12 horas como parte da mobilização por reajustes salariais.

Os trabalhadores dos dois veículos de Santarém (PA) estão em negociação salarial, juntamente aos trabalhadores da TV Tapajós, afiliada à Rede Globo, desde outubro do ano passado, mas as empresas se recusam a oferecer um reajuste salarial digno.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão de Santarém apresentou no início das negociações a proposta de 15% de reajuste, mas após inúmeras tentativas de acordo frustradas chegaram a ceder para 5%, que equivale a aproximadamente R$53,00 como reajuste. Não satisfeitas, as duas empresas fizeram a contraproposta de míseros 2,33%, que resultaria num aumento de apenas R$24,00 para o piso máximo (R$1.066,45) da categoria.

Além disso, o Sistema Diocesano de Comunicação não paga os salários dos radialistas desde dezembro de 2017. E o sindicato tem o conhecimento e já denunciou ao Ministério Público que existem trabalhadores atuando sem o registro profissional em ambas as empresas.

Diante de tal cenário, os radialistas das duas empresas decidiram que a única maneira de conquistar o reajuste salarial minimamente digno é cruzar os braços e mostrar a força da união dos trabalhadores santarenos. Dessa forma, na noite de hoje será realizada assembleia com a categoria para a decisão do decreto de greve ambas as empresas.

Confira abaixo a carta aberta dos trabalhadores em comunicação de Santarém:

Carta aberta aos trabalhadores em comunicação de Santarém

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão de Santarém, vem informar que, desde outubro de 2017, quando entregamos para as empresas uma pauta com propostas para reajuste salarial baseada na sensibilidade com a situação econômica das mesmas, mas elas não foram sensíveis a situação econômica dos trabalhadores.

Temos sido pacientes, compreensivos e muito generosos com as empresas nas quais trabalhamos por entender a situação do momento. Fechamos o acordo com várias empresas, mas infelizmente não houve bom senso por parte da Rádio Rural, da TV Encontro (Rede Vida) e da TV Tapajós (Globo).

Demonstrando total desrespeito e descaso para com os trabalhadores, essas empresas representadas pelo advogado. O sindicato apresentou a proposta de 15% de reajuste salarial e eles negaram. Depois de várias reuniões com os representantes das empresas, sem grandes avanços, chegamos a apresentar como última proposta para fechamento do acordo o reajuste de 5%, que gira em torno de R$ 53,00 (cinquenta e três reais).

A proposta foi aceita por 6 empresas, ficando somente as 2 empresas citadas acima na recusa. Elas insistem na proposta vergonhosa de apenas 2,33%, que gira em torno de R$ 24,00 (vinte e quatro reais) para quem ganha o piso máximo de R$ 1.066,45 (hum mil e sessenta e seis reais e quarenta e cinco centavos).

Isso demonstra falta de respeito para com os trabalhadores, seus familiares e com a própria comunidade santarena. O salário que os radialistas ganham é uma vergonha, essa é a verdade.

Infelizmente, por intransigência do representante destas três empresas chegamos a esse ponto. A única forma de respeitar os trabalhadores pelos seus direitos é lutar, então não temos outra saída senão a paralização das atividades.

É lamentável termos que ir a greve para lutar por reajuste digno. Fica aqui a indignação e revolta de todos trabalhadores das empresas de rádios e televisão de Santarém.

Fonte: Da redação, com informações do sindicato.

One comment

  1. Hipoteco minha solidariedade e respeito aos companheiros radialistas “mocorongos”, pela atitude firme em defesa de seus direitos. Somente na união e com lutas, a categoria atingirá seus objetivos. Enquanto houver opressão e supressão de direitos, tem que haver resistência e aplicação da lei da reciprocidade.

    Luiz Cunha
    Ex-Presidente do Sindicato dos Radialistas do Estado do Pará
    DRT- 1267/PA.

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