Trabalho novo, precarização antiga

Segundo dados do DIEESE o número de ocupados no mercado de trabalho brasileiro passou de 90,6 para 91,2 milhões, na passagem do 1º para o 2º trimestre de 2018 (600 mil trabalhadores a mais). A rotatividade continua alta: 8,8 milhões que estavam ocupados ficaram desempregados ou saíram da força de Trabalho, enquanto outros 9,4 milhões de inativos ou desocupados (5,6 milhões e 3,8 milhões, respectivamente) conseguiram uma vaga.

Entre esses 9,4 milhões que conseguiram ocupação, a taxa de informalidade foi de 74%, quase o dobro daquela do mercado de trabalho em geral (39%).  Só 17% conquistaram postos com carteira assinada. Dos “novos ocupados”,23% (2,1 milhões) foram incorporados sem carteira ao setor privado, enquanto 35% (3,3 milhões) tornaram-se trabalhadores por conta própria, a maioria (86,2%) sem formalização.

 Uma em cada cinco mulheres (20%) foi contratada como doméstica, a maior parte sem carteira (887 mil) e 30% tornaram-se conta própria (1,5 milhão). Entre os homens, 40% foram trabalhar por conta própria (1,8 milhão) e 30% sem carteira assinada (1,3 milhão). Dos “novos ocupados” por “conta própria”, 71% concentraram-se em 20 ocupações, a maioria ligada a atividades manuais ou de prestação de serviços e vendas.

 Destacam-se os vendedores a domicílio (281 mil), agricultores (276 mil) e pedreiros (275 mil). Também aumentou a participação em ocupações que geralmente crescem em períodos de baixo dinamismo econômico, como condutores de automóveis (88 mil) e vendedores ambulantes (77 mil, de alimentação, e 59 mil, os demais). O rendimento médio do conjunto desses ocupados que acabaram de conseguir uma vaga equivale a menos da metade do que é pago no mercado de trabalho. Enquanto os ingressantes recebiam cerca de R$ 1.023, o mercado oferecia em média R$ 2.128 para os demais.

Os jovens, tradicionalmente, têm rendimento inferior ao recebido por aqueles com mais idade. Em algumas situações, chegam a ganhar apenas 65% do rendimento dos trabalhadores de 60 anos ou mais (R$ 857 diante de R$ 1.318). Mais da metade (53%) dos “novos” ocupados possuía jornadas inferiores a 40 horas semanais. Desses, 35% disseram que gostariam de trabalhar mais horas. A elevada rotatividade do mercado de trabalho brasileiro fica evidente quando é observado o número de contratações e desligamentos. Apenas entre o primeiro trimestre e o segundo de 2018, saíram da condição de ocupados 8,8 milhões de trabalhadores, enquanto 9,4 milhões deixaram a situação de desocupados ou de fora da força de trabalho e conseguiram uma vaga. A maioria dessas pessoas, entre as quais há um grande grupo de jovens, ingressou em trabalhos precários: maior informalidade, menor cobertura previdenciária, ocupações típicas de uma economia com baixo dinamismo (especialmente para as mulheres) e rendimentos inferiores à metade do mercado de trabalho em geral. Mais do que o estreitamento das oportunidades para os novos trabalhadores, o movimento descreve a falta de fôlego da economia brasileira para proporcionar, no curto prazo, alternativas mais estruturadas de trabalho, devido à fraca recuperação e a ausências de perspectivas melhores para o próximo período.

 

Fonte: DIEESE

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